Leões

Meu ânimo decidiu vestir-se com uma roupa de palhaço sem graça e desvirtuando a profissão foi à rua buscando um sorriso impossível.

Pensava ele que rompendo o paradoxo da graça ao tentar propositadamente não vestí-la, que sua ausência de vontade pudesse também converter-se em algo um pouco além do simples ato de respirar. Errou.

O ânimo tal qual o chicote do vento açoita aleatoriamente o que deseja espalhando pelo ar, preferencialmente aquele dente de leão mais distraído. Cabe a semente que voa por um curto período aproveitar a viagem, assim como aqueles acometidos pela inexplicável vontade de viver.

Se a terra que a espera será fértil ou não o tempo irá dizer, mas que isso não turve a beleza da viagem porque no final pode ser a única parte realmente bela.

Nada impede que o vento guie a paciente reencarnação da leonina planta até o rosto do palhaço. E que no fim, ter um dente de leão cravado na lágrima da face seja apenas um pouco de azar de ambas as partes.

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