Bimorfia – Introdução

Polimorfia – subs.  Expressão com origem grega que significa: capacidade de assumir “muitas formas” ( poli + morphos).

Bimorfia – subs. Habilidade em se mostrar de duas formas, comutando quando desejar entre elas.

O veiculo de luxo converge em direção à movimentada Avenida em Moscou. Alguns quilômetros separam Anushka Konstantinov do edifício sede da Vsegda Prekransa ou Always Beautiful como é internacionalmente conhecida. Em sua cabeça, uma infinidade de questões surgem como cartazes luminosos: aquisição de novas empresas, importantes fusões, o mercado de ações… Será mais um dia agitado no diversificado mercado dos produtos ligados a beleza.  O destino é alcançado. A velocidade do carro reduz enquanto as lanternas indicam a conversão em direção a entrada da garagem, cuja porta se abre lenta, acionada pelo porteiro que reconhece o carro tão bem quanto o temperamento da motorista.

Um túnel escuro interliga o mundo exterior à iluminada garagem subterrânea. Quando o reflexo das luzes do estacionamento é exibido nos olhos oceânicos de Anushka, o doutor Abidemi Ihejirika abre os seus há milhares de quilômetros dali. Admira o teto de lona de sua barraca em um campo de refugiados na Etiópia. Em um movimento rápido se põe sentado na cama improvisada. Solta um suspiro demorado, daqueles que parece expulsar parte da alma no ar e termina olhando para o chão, onde contempla seus pés, já com 48 anos e fica feliz por ver os dois ali. Muitos dos que estão no acampamento encontraram minas terrestres, dispositivos que, se não os tomaram a vida, tomaram alguma parte do corpo como tributo a imbecilidade humana.

Alguns passos o separam da bacia de alumínio, nada brilhante e com muitos amassados, onde vê refletido na água seu rosto marcado pelo tempo e por todo o sofrimento diário. Simultaneamente Anushka está checando a maquiagem no espelho do guarda sol do seu veiculo e gosta do que vê, precisa apenas de alguns retoques que trata de aplicar. Desliga o carro, pega a bolsa de marca famosa e quando está a alguns passos de distância, seguindo em direção ao seu elevador privativo, faz soar o sinal de ativação do alarme. O duplo beep é acompanhado pelo som dos últimos pingos d’agua que caem das mãos de Abidemi após lavar o rosto. Não o seca. Gosta da sensação calmante da água na pele, trata apenas de secar as mãos antes de pegar sua surrada maleta com os instrumentos médicos. Alguns passos o separam do zíper que serve como porta da barraca.

A bela loira russa pressiona o botão que faz a porta do elevador abrir prontamente, revelando-a refletida nas paredes espelhadas do luxuoso interior. O pobre doutor negro abaixa-se e com dificuldade, consegue destravar o zíper emperrado, que sobe lento mostrando a rua empoeirada e o brilho do sol nascente prometendo estar presente o resto do dia. Enquanto vai ficando ereto novamente, à medida que o zíper desliza ruidoso por uma coluna de plástico ressecado, o número do andar no painel digital do elevador informa que o destino está próximo, que na Rússia o dia será nublado com previsão de chuva no final do dia e que as ações de algumas das empresas controladas estão em alta.

Ao mesmo tempo as portas de lona e de metal se abrem por completo e ambos seguem seus caminhos. Anushka para sua sala no final do corredor onde dezenas já estão trabalhando em suas posições. Vidrados em monitores gigantes, acompanham o nervosismo da abertura dos mercados internacionais. À medida que passa, cabeças se reclinam evitando um possível cruzar de olhares, movimento imitado pelo servente Igor Krupin que está em seu caminho retirando o lixo. Vê, de sua posição prostrada, apenas os pés da mulher passando próximos. Volta à rotina quando ouve o barulho da porta do escritório sendo aberta.

Abidemi segue levantando poeira do solo castigado até a tenda central que serve como ambulatório. No caminho, uma imensidão de tendas militares abrigam aqueles cuja guerra e a fome tirou quase tudo. Donos apenas da própria vida, se é que o ato de apenas respirar e aguardar o amanhã pode ser usado como forma de existência. No trajeto cumprimenta com alguns tapas sobre os ombros, seu quase irmão e ajudante Babatundê: “Bom dia! Mais um belo na Africa?”. O sorriso largo do amigo é a resposta tradicional. Karkas o cão movido a ar do acampamento voa em sua direção. É possível contar seus ossos encapados por um pêlo negro baixo e ausente em algumas partes, mas do seu focinho alongado há sempre uma língua feliz para fora, ainda mais quando um pedaço de pão lhe é dado.

Tão logo a porta se fecha atrás, Anushka esquadrinha sua sala com olhar clinico buscando algo para reclamar. No canto esquerdo, uma bandeja repleta com frutas frescas será a vitima. Franze o cenho tão logo a avista em claro sinal de repulsa e ordena, pressionando o botão do interfone, que a mesma seja jogada fora e uma nova seja posta no lugar. Não que a nova também não vá ser jogada fora no final do dia, já que até hoje ela nunca tocou em uma das frutas diariamente ofertadas.

Entrando no consultório, o doutor vê sobre a maca à direita seu primeiro paciente. Mais um daqueles que vivem por uma teimosia incompreensível. Um senhor que aparenta mais de 60 anos, mas que provavelmente tem pouco mais de 30, tanto anos quanto quilos, sendo em sua grande maioria apenas o peso dos próprios ossos. Ao ouvir os passos do doutor, realizando algo que parece ser um esforço sobrenatural, vira a cabeça nesta direção. Seus olhos amarelos como o sol falam por ele, já que a ausência de forças o impedirá de pronunciar uma palavra sequer. Mas seu olhar envia uma clara mensagem para o doutor: “Que bom que o senhor está aqui.”

Bimorfia.

As Carroças de Friedrich

Joseph era um jovem alemão que nasceu com um dom, assim como cada um de nós. No seu caso manipulava madeira como ninguém, praticamente a esculpia com as mãos. A necessidade do inicio do século o conduziu para a fabricação de carroças, atividade que se mostrava rentável e que foi abraçada como oficio pelo rapaz no inicio da sua fase adulta.

Seu belo trabalho repercutia e cada carroça concluída parecia gritar pelo caminho o nome do seu criador, e novos compradores surgiam. Os negócios iam muito bem.

Friedrich era um dos moradores da colônia, talvez por não ter prestado atenção chegou a fase adulta sem descobrir sua vocação, uma profissão que lhe desse algum prazer. Contudo vendo o sucesso de Joseph arriscou-se construindo sua primeira carroça. Depois de construída, mal andava e uma roda soltou-se do eixo na tentativa do primeiro passeio. Não é necessário dizer que Friedrich passou o resto da semana mancando após ter chutado sua carroça sem um das rodas.

Mesmo tendo rolado de cima da carroça quando essa quebrou, e de tanto rir vendo o irmão furioso chutando-a, Werner o irmão caçula de Friedrich, naquele momento decidiu ajuda-lo de alguma maneira. Mais alguns dias de trabalho fizeram a carroça andar sem deixar suas rodas pelo caminho. Não era uma das carroças de Joseph, mas andava e parecia cumprir o seu papel. Seu construtor, porém, não conseguia vende-la, deixou inacabada a segunda e saiu em busca de uma nova alternativa de trabalho. Ambos os construtores de carroças já trabalhavam com margens muito pequenas de lucro, então reduzir o valor da carroça não era opção, pois significaria trabalhar de graça.

Werner estava em casa matutando como ajudar o irmão, quando viu alguém retornando da casa de Joseph a pé. Questionado sobre o aparente desanimo o homem respondeu que haviam muitas encomendas e que ele só seria atendido no próximo mês. Naquele momento Werner descobriu qual a sua vocação nesse mundo: “Mas hoje é o seu dia de sorte e senhor não precisará esperar…”. Mais algumas frases de efeito, transformaram a desengonçada carroça de Friedrich em uma das maravilhas da humanidade e essa saiu sacolejando com seu feliz comprador pelas ruas enquanto Werner, ainda em choque, conferia as moedas.

No final daquele dia enquanto amontoavam o dinheiro pela milésima vez, os irmãos concluíram que as carroças de Friedrich poderiam competir com as de Joseph naquele cenário: ausência de produto do concorrente e propaganda de Werner. Naquele momento era o suficiente.

E assim o tempo foi passando, com as vendas de Friedrich melhorando quando Joseph não conseguia atender os tantos pedidos, até que Werner adoeceu. Nesse período da doença não houve vendas. Ficou claro que sem a propaganda eles não seriam nada e mostrou que não podiam depender apenas de Werner para isso. Tão logo teve a saúde restabelecida Werner contratou e treinou um ajudante. Com dois trabalhando na divulgação, independente de Joseph ter ou não carroças, Friedrich vendia igual, com mais propaganda os produtos se igualaram no mercado, levando em consideração as vendas, nunca a qualidade.

Não demorou até que isso fosse notado e novos ajudantes para Werner fossem contratados, assim como não demorou para que Joseph não fosse mais procurado. Esse acabou como ajudante de Friedrich, construindo carroças de alto padrão. Vendidas pelo dobro do preço, já que não havia mais concorrência.

O tempo transformou Friedrich no maior construtor de carroças de toda a região, seu nome é usado em diversas ruas e há um busto seu no centro praça. Joseph ninguém além dos parentes sequer sabe quem é, está velho, pobre e ainda trabalha com madeira por amar muito o que faz. Está construindo uma última carroça, tão boa quanto todas as demais.  Seu maior medo é de morrer e não concluir o trabalho.

Friedrich está na sua mansão dando uma entrevista nesse momento, aponta orgulhoso para uma roda de carroça envernizada pendurada na parede, dizendo que foi da primeira carroça que teve orgulho em construir. Orgulho deve ser sinônimo de ódio, ou de pé latejando no falso mundo da propaganda…

Controle

controle

Uma flâmula tremula e cândida
Bela e artificialmente plástica
Que pouco aquece e nada ilumina
Que insisto em proteger como minha

Penumbra que gera mil tropeços
Deixando meu mundo do avesso
Lentamente ministra o doce veneno
Suave toque da mão, sereno

Rotas soltas traçadas no ar
Andando em círculos perdido está
Não busca ajuda, não quer aceitar
A real imagem que insiste ignorar

Fruto de sonhos e esperança
Frágil amor que não cansa
Em ficar em segundo plano
A loucura contida do insano

No espetáculo de origem perversa
Que sempre aguarda sem pressa
A chama verdadeira se mostrar
Iluminar sua vida, aquecer o lar

Roupas que escondem os espinhos
Luvas que ocultam as garras
Invisíveis mantem as amarras
Da ilusão por desta necessitar

Porque se a verdade aparecer
Rapidamente ira perecer
O que hoje te parece vital
É o que rouba sua vida afinal

Quando a névoa enfim desaparecer
Dentro de ti poderás ver
O falso agrado só te fez sofrer
Roubou lhe a chance de realmente viver

Não importa mais com quem sonhas
Nem tão pouco com quem deitas
Saiba que só existe controle
Quando o controlado aceita

Leões

Meu ânimo decidiu vestir-se com uma roupa de palhaço sem graça e desvirtuando a profissão foi à rua buscando um sorriso impossível.

Pensava ele que rompendo o paradoxo da graça ao tentar propositadamente não vestí-la, que sua ausência de vontade pudesse também converter-se em algo um pouco além do simples ato de respirar. Errou.

O ânimo tal qual o chicote do vento açoita aleatoriamente o que deseja espalhando pelo ar, preferencialmente aquele dente de leão mais distraído. Cabe a semente que voa por um curto período aproveitar a viagem, assim como aqueles acometidos pela inexplicável vontade de viver.

Se a terra que a espera será fértil ou não o tempo irá dizer, mas que isso não turve a beleza da viagem porque no final pode ser a única parte realmente bela.

Nada impede que o vento guie a paciente reencarnação da leonina planta até o rosto do palhaço. E que no fim, ter um dente de leão cravado na lágrima da face seja apenas um pouco de azar de ambas as partes.

O Peixe e o Macaco

Caminhava, como faço diariamente, em uma destas belas manhãs, quando em busca de algo novo decidi alterar um pouco o tradicional trajeto. Há algum tempo planejava visitar um belo lago, encravado em um  bosque perto daqui.

Algumas centenas de passos depois, estava em frente à lagoa. Confesso que era algo bem maior e mais bonito do que esperava, sua vasta extensão me impedia de ver o outro lado e vistosas árvores salpicavam as suas margens, criando um contorno verde incrível.

E foi em uma dessas árvores que vi um pequeno macaco, requebrando-se em acrobacias, fazia de tudo saltando de galho em galho, parecia que estava em uma competição, dada era sua disposição e variedade de movimentos. Sentei um pouco para apreciar sua exibição e notei que não era o único que o observava. Na margem do lago, um peixe acompanha todos os movimentos com muita atenção, mas seu olhar triste não combinava com todo aquele cenário.

Continuei a observar o primata, que a essa altura, já mostrava sinais de cansaço, até que decidiu dar uma pausa na apresentação e descansar sob a sombra do seu palco. Aproximei-me do acrobata o parabenizei pela explosiva sequência de movimentos. Ele agradeceu e continuou recobrando o fôlego. Comentei que ele tinha espectadores até dentro d’água, mas ele não se mostrou surpreso. Falou que o peixe passava a maior parte do seu tempo o observando nas copas das árvores.

– O maior sonho desse peixe e fazer o mesmo que eu faço, saltar de galho em galho, e talvez até seja por ele que eu me esforço tanto nos movimentos. Acho que minha natureza é meio exibicionista. – ri o macaco, já respirando normalmente.

Busco o peixe, mas ele já não estava mais na plateia. Despeço-me do felpudo novo amigo e continuo minha caminhada.

Refaço o percurso no dia seguinte, na esperança de encontrar novamente a dupla e lá estavam eles: espectador e ator nas mesmas posições, demonstrando a mesma alegria e agitação de um lado e a mesma tristeza e apatia do outro. Desta vez decido ir para o lago conversar com o pensativo morador das águas. Confirmo pouco depois de iniciada a conversa o maior sonho do lacustre amigo:  as árvores, os saltos, o impossível… Tento entender de onde nasceu aquela necessidade, aquela estranha e inusitada expectativa e por consequência, tão grande fonte de frustração, mas ele não soube me explicar.

Ingenuamente pergunto:

– Por que você não convida o macaco para nadar?

Ele me responde que nadar era sem graça… Insisto no convite e nesse ponto, já sem ninguém para assisti-lo, o macaco se junta ao grupo.

Alegre e sempre disposto, o macaco se propõe a nadar com o peixe e sem pensar duas vezes, pula na água e inicia uma corrida com o peixe até a outra margem, incitando o lacustre amigo a lhe acompanhar.

Não foi de se estranhar que o peixe já houvesse ido e voltado, enquanto o macaco se debatia a poucos metros da margem.

Encharcado e já não tão feliz, o macaco saiu do lago, espalhando água por todo o lado enquanto se agitava. Admitiu, por fim. que não tinha a menor chance contra o peixe e voltou para as árvores, a fim de fazer o que sabe de melhor. Como em um passe de mágica, agora, parte da alegria do primata, estampava um sorriso no pequeno peixe. Nadar não parecia mais tão entediante agora e nesse momento, o peixe salta e parte em mais uma travessia do lago. Da margem, só via as pequenas ondas circulares que se formaram após suas piruetas fora d’água.

Olhei para as árvores querendo chamar a atenção do macaco para o que acontecia dentro do lago, mas não foi necessário. A plateia já havia mudado de lugar e era com admiração que o primata olhava para a água, talvez, nesse momento, sonhando em saber nadar assim.

Sorrindo, despedi-me do grupo deixando com eles a seguinte mensagem:

“Macaco: continue saltando como se o mundo inteiro o estivesse assistindo. O mesmo vale para você, peixe: nade todos os dia como se estivesse defendendo a própria vida. Contemplem sempre suas qualidades e não foquem  em suas deficiências. Usem o que ambos tem de melhor para ajudar a si mesmos e aos outros.”

E será assim, aceitando nossas limitações e ajudando o próximo com nossas qualidades, que juntos, escalaremos as mais altas árvores e atravessaremos até o mais extenso dos lagos.

Prisões brancas

snow road

Não sei explicar o que aconteceu, mas em um determinado momento tudo ao redor começou a perder a cor. Estranhei um pouco no inicio, tentei voltar pelo caminho que havia me levado até ali, mas não consegui encontrar. Tanto branco me confundia, andei por dias, meses, anos. E no fim estava apenas eu e um imenso piso branco. Com um céu da mesma cor eu não conseguia ver o horizonte, tudo era igual. Exausto de tanto procurar pela saída desisti e sentei, não havia mais o que fazer, eu estava perdido dentro desta imensa prisão branca.

O tempo perdia todo sentido aqui, eu não sabia dizer se passava rapidamente ou lentamente, nada mudava ao redor para indicar se era dia ou noite, eu dormia quando estava cansado, acordava quando o sono acabava. Por sorte não tinha fome, acho que de alguma maneira esse lugar maluco saciava a minha fome e a minha sede. Com o tempo minha visão piorou muito, mal via meu corpo, tudo estava ficando embaçado, esse branco todo não estava me fazendo bem.

E foi assim, sentado olhando para onde eu imaginava que pudesse haver um horizonte que algo apareceu no céu. Lentamente caiando, girando suavemente, parecia vir na minha direção, era algo bem pequeno, era algo que tinha cor e por isso chamou tanto a atenção. Passou girando em frente aos meus cansados olhos, e graciosamente pousou na minha frente. Uma linda pétala de rosa vermelha. Olhei para cima, para todos os lados a procura de outras, mas parece que só caiu essa. De onde? Acho que essa resposta eu nunca terei.

Quando pensei em toca-la vi que ao seu redor já não havia o pálido branco, aos poucos comecei a ver surgir terra. Como se aquela simples pétala tivesse o poder de mudar o mundo ao seu redor. Logo que a toquei a mesma sumiu, foi drenada rapidamente para dentro da terra, e o meu piso branco ficou no lugar novamente. Toco no chão gelado tentando entender o que aconteceu. Em vão. Minha pétala não estava mais ali. Choro por ter estado tão perto de sair daqui, choro culpando me por tentar pegá-la de maneira tão rápida, impulsiva, impensada, apressada. Se eu tivesse deixado-a em paz, a essa altura eu poderia enfim estar pisando em terra novamente.

Uma lágrima rola do meu rosto e atinge o piso, no lugar onde a minha ultima esperança desapareceu. Minha lágrima faz a terra voltar a aparecer, e deste solo uma planta começa a nascer e rapidamente na minha frente, uma grande roseira floresce. Pude contar inúmeros botões de rosas aguardando ansiosos para desabrochar. E em um piscar de olhos, todos se abriram, pela primeira vez em muitos anos voltei a sorrir. Não entendia o que acontecia e nem queria pensar nisso. Sou atingido por um forte vento, que gira com força ao redor das rosas, uma a uma as pétalas vão sendo arrancadas e espalhadas por todo meu branco cenário.

E a cada pétala que caia, uma nova roseira nascia, novos ventos surgiam, e novas pétalas eram espalhadas e assim tudo ao redor de mim voltou a ganhar cor, tive forças para voltar a caminhar, e tão logo sai do meu novo canteiro de flores, vi o mundo colorido novamente. Quando já estava fora do canteiro uma pétala passa caindo na minha frente e pousa próxima ao meus pés. Instintivamente abaixo para pegar, mas antes de toca-la penso: – Melhor não, essa pode ser a pétala que irá tirar alguém da sua prisão branca. Olho para o canteiro agradecido e sigo o meu caminho.

Joshua Rubberman